terça-feira, 16 de junho de 2009

O último Ícone

Há poucos dias passou pelo Brasil a turnê do Oásis, com vários shows no Rio, São Paulo, Porto Alegre. Os caras não estão mais no auge, e já têm mais de uma década de carreira entre escândalos, polemicas, brigas e grandes discos e muito, muito rock'n roll.
Alguém já viu uma grande banda de rock não brigar, causar polemica e não produzir grandes musicas? Guns’n Roses que o diga.
Pois é, mesmo não estando mais na moda, os caras ainda lotam os shows e, no quesito musica, continuam respeitadíssimos e produzindo belas canções. Já alcançaram o posto de ícones do rock’n roll e não precisam provar mais nada a ninguém, além de gravar seus nomes definitivamente na história da musica mundial.
Dias depois vieram os tais de Jonas Brothers, lotaram o Morumbi, causaram furor entre as menininhas (desocupadas e descabeçadas) atraíram a mídia e... tocaram o que eles chamam de música. Não dá pra esquecer da banda Macfly , fenômeno idêntico.
Dentro de um ou dois anos será que alguém vai lembrar-se deles, poder acompanhar belíssimas canções, discos históricos e grandes músicos? Duvido muito, pra ser sincero aposto alto que não!
Esta é a diferença entre grandes bandas e músicos de verdade. Exemplos não nos faltam sobre a meteórica aparição de músicos e bandas de ‘temporada’, que surgem do nada e ao nada voltam. Lembro-me de alguns, Hanson, Linkn Park, Limp não sei das quantas, que lotaram casas de shows e levaram ao delírio os mesmos tipos de menininhas (desocupadas e descabeçadas) e outros tipos de “moças” – se é que você me entende – ao delírio e a comprar, como eu costumo dizer, “arquivos musicais descartáveis e com curto prazo de validade”.
Quem, hoje em dia, ouve falar de Hanson e companhia? Eu soube que eles estão tentando montar suas bandas separadamente, já que não conseguiram repetir o sucesso do primeiro hit. Os jovens de hoje nem sabem quem foi Hanson, Back street Boys e “coisas” do gênero. Isso é normal, pois nenhuma das canções apresentadas ao mundo por eles foi capaz de sobreviver à moda da novidade e à prova do tempo.
Há mais de quinze anos eu ouço Oásis e tenho alguns dos mais importantes álbuns da banda, pois ainda hoje eles nem precisam lançar novos trabalhos, o mundo pagará por décadas para ouvir suas músicas, pois, estas sim, não só sobrevivem ao tempo, como são capazes de transformar o tempo e as coisas ao redor, influenciar e inspirar pessoas e vidas.
Na década de setenta surgiram milhares de bandas em todos os estilos variados do rock e muitas estão aí até hoje nos presenteando com músicas maravilhosas, Kiss, Deep Purple, Black Sabath, só pra citar como exemplo. Nos anos oitenta também tivemos muita riqueza musical e U2, Bon Jovi, Iron Maiden, AC/DC entre muitas outras, trouxeram canções magníficas que jamais deixarão de tocar nas rádios, nas casas, carros das pessoas.
O Oásis foi uma das poucas bandas surgidas nos anos noventa e que fez um sucesso mundial gigantesco e continua na estrada sem apoiar-se em um único hit, ao contrario, continuaram a lançar álbuns e canções ótimas.
Por essas e por outras estivemos diante do último grande ícone do rock'n roll.
Quem viver ainda verá!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Music from the Elder


Outro dia estava lendo a coluna musical do site Wiplash, e me deparei com uma resenha a respeito de um dos álbuns mais controversos da história de uma das minhas bandas de cabeceira, o KISS.
A coluna, na verdade,se dispunha a falar sobre as injustiças feitas a alguns álbuns e bandas através da história. E The Elder era a bola da vez.
Não lembro ao certo o nome do colunista, mas ele falou sobre a história desse álbum e toda a repercussão que causou à época. E é incrível perceber o quanto nossa ignorância é capaz de nos cegar de levar a preconceitos estúpidos.
Até ler aquela coluna eu nunca me dispunha a ouvir o tal disco. E não foi por falta de oportunidade pois meu irmão bugalu há muito possui no formato vinil impecavelmente conservado. Lembro-me bem quando pela primeira vez bati os olhos sobre a capa do disco e perguntei o que era. Foi então que eu ouvi;" é um disco ruim que o Kiss fez, e que nem vale à pena ouvir, tenho apenas pra completar a coleção". E assim foi, ouvimos inúmeras vezes muitos, quase todos os álbuns do Kiss, mas nunca The Elder.
Pois foi que minha curiosidade me fez querer ouvir tal disco. No último fim de semana segurei o vinil de forma diferente em relação às outras vezes, e coloquei pra rolar.Que surpresa!!!
Era muito mais pesado que o habitual, era quase progressivo, com pegada, belas músicas. Mas não parecia o Kiss. As músicas, em sua maioria, são incontestávelmente boas e bem produzidas, mas então eu entendi o porque de tanta polemica e o porque do belo álbum ter sido, à época, execrado e esquecido.
Talvez os caras realmente quisessem provar que poderiam fazer um álbum conceitual e tal, mas o problema é que bandas como o Kiss têm sua marca registrada através de sua música e uma mudanças tão radical pega qualquer um de surpresa além de nos fazer pensar que os caras enlouqueceram e nunca mais voltaríamos a ouvir love gun e etc.
Bem, as musicas não eram ruim, o que foi ruim, imagino eu, foi ouvir Kiss sem parecer Kiss.
Mas isso é bom pra nos fazer pensar por nós mesmos e entender que boa música estará sempre condicionada ao espírito presente nas pessoas em casa época, a realidade cultural e política, e claro, ligada intimamente à imagem de quem canta.
Bom disco, belas ´músicas, mas era Kiss. Mas mesmo assim, adivinha qual disco estarei ouvindo no próximo fim de semana.